Vivemos em uma época de discursos politicamente corretos e virtual valorização acadêmica da diversidade. Interessante notar que em nossas vivências cotidianas, no entanto, ainda encontramos bastantes dificuldades em aceitar e respeitar os outros em suas singularidades. A orientação homoafetiva é um exemplo claro desta contradição, posto que o sujeito que assim se assume enfrenta toda uma série de desafios para exercer tranquilamente seus direitos e suas opções.
Lamentavelmente a sociedade vem protagonizando uma série de violências contra os sujeitos homossexuais, desde a simbólica, passando pela religiosa, chegando até à brutalidade das agressões físicas gratuitas. É fácil encontrar notícias recentes que relatam casos, em grande quantidade, que se repetem mundo afora, demonstrando o quanto os dircursos de inclusão continuam no plano da idealização cômoda, sem uma efetivação nas práticas.
Porque nos é tão complicado respeitar a orientação homossexual? Quais padrões culturais e psicológicos mobilizam tal rejeição? Onde a lição cristã de não julgamento? Onde o ensino Espírita da necessária variedade no contato social? O aclamado mundo de regeneração comporta tal discriminação? Precisamos criticar o paradigma da hetero-normatividade e avançarmos para um novo entendimento e uma nova postura diante da orientação homossexual, mais lúcida, ponderada e respeitosa.
Convidamos você a dar um passo neste sentido, participando conosco do Bate-Papo Espírita!!! Esta é a última semana de inscrições. Procure o coordenador de sua Mocidade e venha papear em grupo, sob à luz do Espiritismo.
sábado, 28 de abril de 2012
terça-feira, 17 de abril de 2012
Homossexualidade no Centro Espírita
Uma vez que todo tipo de pessoa frequenta a instituição espírita, com vínculos mais ou menos fortes, é esperado que esta diversidade também se verifique no que tange à orientação sexual. Muito óbvio que adentram às portas de qualquer casa espírita indivíduos que se assumem heterossexuais, homossexuais ou bissexuais.
Ocorre que esta constatação sempre trouxe consequencias polêmicas nos arraiais espiritistas, posto que as visões e organizações de cunho tradicionalista e preconceituoso, trataram de marginalizar, doutrinaria-socialmente, as pessoas declaradas ou suspeitas (este é o termo) de serem homossexuais.
Em vários seminários e pinga-fogos, ouvimos opiniões semelhantes, discursando pela não inclusão do homossexual nas lides espíritas. A justificativa se baseia no desequilíbrio de que são portadores, na necessidade que têm de absterem dos pecados da comunhão homoafetiva, e do mal exemplo que seriam para os demais.
Mas, afinal, homossexualidade indica comportamento pervertido? A orientação sexual é que define o comportamento sexual? Será que tal postura não cria uma cultura cínica de silêncio e vidas paralelas dentro do Centro Espírita? Esta discriminação encontra algum apoio nas passagens Evangélicas? Como os Espíritos se posicionam diante de tal questão?
Se você deseja aprofundar este debate, de maneira respeitosa e madura, está convidado a participar do Bate-Papo Espírita!!! Procure o coordenador de sua Mocidade e se inscreva.
Aproveito e sugiro uma pequena bibliografia espírita sobre o tema. Caso desejem ler antes do evento, será de grande utilidade para as discussões.
Ocorre que esta constatação sempre trouxe consequencias polêmicas nos arraiais espiritistas, posto que as visões e organizações de cunho tradicionalista e preconceituoso, trataram de marginalizar, doutrinaria-socialmente, as pessoas declaradas ou suspeitas (este é o termo) de serem homossexuais.
Em vários seminários e pinga-fogos, ouvimos opiniões semelhantes, discursando pela não inclusão do homossexual nas lides espíritas. A justificativa se baseia no desequilíbrio de que são portadores, na necessidade que têm de absterem dos pecados da comunhão homoafetiva, e do mal exemplo que seriam para os demais.
Mas, afinal, homossexualidade indica comportamento pervertido? A orientação sexual é que define o comportamento sexual? Será que tal postura não cria uma cultura cínica de silêncio e vidas paralelas dentro do Centro Espírita? Esta discriminação encontra algum apoio nas passagens Evangélicas? Como os Espíritos se posicionam diante de tal questão?
Se você deseja aprofundar este debate, de maneira respeitosa e madura, está convidado a participar do Bate-Papo Espírita!!! Procure o coordenador de sua Mocidade e se inscreva.
Aproveito e sugiro uma pequena bibliografia espírita sobre o tema. Caso desejem ler antes do evento, será de grande utilidade para as discussões.
§ O
Livro dos Espíritos: itens 132, 200,
201, 202, 207, 208, 216, 228, 229, 258, 259, 261, 264, 269, 335, 367, 368, 369, 370, 385, 695, 696, 698, 699.
§ O
Evangelho segundo o Espiritismo: introdução, item II.
§ Revista
Espírita: janeiro de 1866, artigo “As
mulheres têm uma alma?”.
§ Além
do rosa e do azul – recortes terapêuticos sobre homossexualidade à luz da
Doutrina Espírita (Gibson Bastos) [CELD].
§ Vida
e Sexo (Emmanuel): capítulos introdução,
19, 20, 21, 23, 26.
§ Desafios
da vida familiar (Camilo): capítulo I, questões 12 e 13; capítulo II,
questões 28 e 29.
§ O
jovem espírita quer saber (autores diversos): capítulos “Sexo” e “Homossexualidade”.
§ Atualidade
do Pensamento Espírita (Vianna de Carvalho): questões 5 e 179.
§ Pinga-Fogo
(Chico Xavier): 1º, questão 35; 2º, questão 40.
quarta-feira, 11 de abril de 2012
Espiritismo e ciberespaço


Aproveitando a proximidade do Bate Papo Espírita de 2012, postamos um texto produzido ao longo do processo de preparação de estudos do Bate Papo Espírita do ano de 2011, Espiritismo e Ciberespaço
As inscrições para o BPE 2012 - "Os Espíritos têm sexos?" estão abertas e são limitadas! Faça sua inscrição com o coordenador de sua mocidade!
Ciberespaço, sociedade e espiritismo
A necessidade de estarmos em lida direta com outros iguais a nós é conhecida desde muito tempo, e sistematizada por pensadores modernos das áreas da educação, filosofia, entre outras. O próprio livro dos espíritos ressalta a necessidade absoluta da vida em sociedade, e na conhecida questão referente ao conhecimento de si mesmo, respondida por Santo Agostinho, ele coloca como pergunta essencial a ser feita para si mesmo: “se ninguém tivera motivo para de mim se queixar”. A forma como o eu é visto pelo outro é, de fato, essencial para a construção da nossa personalidade.
O ser humano está diante do outro em relação direta desde sempre. Primeiramente entre os agrupamentos primitivos de seres humanos, em pequenos grupos de nômades; em seguida, na esfera das cidades, depois do assentamento da humanidade decorrente da descoberta da agricultura e da criação de animais; começa a consolidar-se uma esfera doméstica, em que as relações entre familiares tornam-se mais estreitas; diferentes grupos sociais interagem sob regimes absolutistas, teocráticos, tribalistas e democráticos.
Com o descobrimento de alternativas tecnológicas para melhoria do trabalho e da produção, o mundo vai vivendo um aceleramente cada vez maior em todas as suas instâncias; o desvanecimento da grandeza do espaço que cortava continentes por meio das novas formas de transporte e comunicações torna todo o mundo, paulatinamente, um grande villarejo global. Em consonância com esse encurtamento das distâncias, surge um novo contexto em que as relações sociais entre os homens se torna possível: a internet.
As relações entre os jovens nos sites de relacionamentos, twitter e programas de conversa estão carregadas de um páthos intenso, como é próprio de sua idade. No geral, arrolam-se especialmente declarações emotivas a respeito das amizades, sobre a importância de uns na vida de outros, e de ações praticadas regularmente e/ou sendo praticadas no momento pelos internautas. Assim, os jovens fazem-se cada vez mais presentes na vida um do outro, seja por sentir-se importante em receber e dedicar textos à amizade entre amigos, seja ao conhecer os detalhes da vida cotidiana dos outros por meio de mensagens.
Cumpre-nos questionar a respeito da natureza dessas relações. Não se deve negar que, pelo jogo da simulação, pela construção de um perfil mais próximo do que quero ser do que da realidade, pelo uso de apelidos, pela inscrição em fóruns e comunidades de assuntos específicos, pela possibilidade de esconder as expressões faciais, e ações simultâneas e alguns pensamentos por uma conversa do messenger, o jovem tem uma nova gama de possibilidades para a construção da sua subjetividade e identidade, baseada na forma como o outro o vê, na forma como vê o outro e na forma como deseja ser visto.
Entretanto, cumpre-nos também questionar-nos se esse tipo de interação não deixa de lado pontos importantes da relação face a face, do toque, do olhar, da troca de energias salutares e, muitas vezes, da exposição sincera e assertiva. Mesmo que muitas das vezes os jovens acabam por fortalecer laços de amizade e se tornarem mais próximos por meio de relações sociais suplementares advindas de tais meios, não se deve abdicar da conversa franca. A exaltação das virtudes na frente dos amigos se revela mais difícil do que em meio virtual, deflagrando uma certa característica de “proteção de face” da criação de textos emotivos via internet.
Ficam diversas questões relativas ao tema, mas permanece sempre a questão básica a que nos norteia o conhecimento do Espiritismo: a busca do equilíbrio. Desviando dos exageros de quem se entrega por horas à vida virtual, preferível, para alguns, à vida diante do outro, o apelo ao mundo ciberssocial deve ser encarado como vinculado à nossa existência como um todo, e o que for apreendido em termos de fantasia e simulação deve ser, mais cedo ou mais tarde, cotejado à vida.
A cultura contemporânea valorizante das aparências, a velocidade e a simultaneidade com que as coisas acontecem, a hibridez e liquidez dos produtos culturais de nosso tempo podem nos levar a uma vida quase contemplativa, de quem não conversa com os amigos da sala mas tem centenas de companheiros no Orkut, de quem busca na fluidez da fama os heróis dos seus valores ou a catárse das suas frustrações, de quem prefere os prazeres e as conquistas fluidas às verdadeiras amizades e caminhos. Lembremos, então, da exortação do Cristo: “Onde estiver seu tesouro, aí estará seu coração”.
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Homossexualidade é patologia?
Muito se tem discutido sobre a natureza do comportamento homossexual, desde o século XIX, em busca de explicações científicas para suas causas e manifestações. Em boa parte das considerações, o viés da anormalidade permeou os discursos e as práticas dos opinadores.
Curioso notar que, nos ambientes religiosos, de modo geral, tais abordagens de cunho bio-patológicas ganharam forte adesão e reforço dos textos ditos sagrados e de autores (con)sagrados. A homoafetividade seria um erro sob múltiplos pontos de vista: biológico, religioso, social.
Os movimentos espíritas também fizeram coro com esta visão, e utilizaram-se de interpretações dos textos da Codificação na tentativa de embasar doutrinariamente suas conclusões, caridosamente condenando a prática homoerótica mas amando as pobres criaturas tentadas à mesma...
Tradicionalmente, escutamos oradores e figuras de relevo falarem sobre a necessidade de abstinência e vida dedicada ao próximo, longe destas vivências pecaminosas e anormais. Quantos indivíduos sentiram-se lesados em sua intimidade e incompreendidos em sua orientação sexual nas reuniões espíritas?
Chegamos a um momento de questionamentos mais lúcidos e pragmáticos, de alguma forma reflexo das lutas dos gays, e as respostas conservadoras e puritanas não nos satisfazem mais. Afinal, qual o problema em ser homossexual? Porque tanto preconceito e discriminação? Será que os Espíritos consideram tal orientação uma anomalia? O que os Espíritos dizem de fato sobre tão polêmica questão?
Se você tem interesse neste debate, venha construir novas ideias a respeito em nosso Bate-Papo Espírita!!! Procure o coordenador da sua Mocidade e se inscreva.
Curioso notar que, nos ambientes religiosos, de modo geral, tais abordagens de cunho bio-patológicas ganharam forte adesão e reforço dos textos ditos sagrados e de autores (con)sagrados. A homoafetividade seria um erro sob múltiplos pontos de vista: biológico, religioso, social.
Os movimentos espíritas também fizeram coro com esta visão, e utilizaram-se de interpretações dos textos da Codificação na tentativa de embasar doutrinariamente suas conclusões, caridosamente condenando a prática homoerótica mas amando as pobres criaturas tentadas à mesma...
Tradicionalmente, escutamos oradores e figuras de relevo falarem sobre a necessidade de abstinência e vida dedicada ao próximo, longe destas vivências pecaminosas e anormais. Quantos indivíduos sentiram-se lesados em sua intimidade e incompreendidos em sua orientação sexual nas reuniões espíritas?
Chegamos a um momento de questionamentos mais lúcidos e pragmáticos, de alguma forma reflexo das lutas dos gays, e as respostas conservadoras e puritanas não nos satisfazem mais. Afinal, qual o problema em ser homossexual? Porque tanto preconceito e discriminação? Será que os Espíritos consideram tal orientação uma anomalia? O que os Espíritos dizem de fato sobre tão polêmica questão?
Se você tem interesse neste debate, venha construir novas ideias a respeito em nosso Bate-Papo Espírita!!! Procure o coordenador da sua Mocidade e se inscreva.
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sábado, 17 de março de 2012
Eu e tantos outros
Eu rotulo.
Tu rotulas.
Ele rotula.
Nós rotulamos.
Vós rotulais.
Eles rotulam.
Qual a íntima maioral adversidade?
Aceitar e valorizar a... diversidade
Herdeiro do Universo de ordem e beleza
Nossas variedades são a grande riqueza
Aspirante do porvir, milênio glorioso
A diferença é o intercâmbio ditoso
Sem o outro, quem sou eu?
Como inundar o peito de superior emoção
Sem a presença afetuosa do amigo no coração?
A diferença humana é a mola do progresso
A essência da vida e a chave do sucesso
Aprendemos a tolerância no lidar
Preciosa lição de reencarnar
Sem o outro quem sou eu?
O respeito mútuo, atitude fundamental
Nova sociedade, crescimento espiritual
É Deus a se expressar na criatura
Em particular retoque, moldura
Bastam os rótulos! Busquemos o cuidado
Acolher a todos, o gesto elevado!
Sem o outro quem sou eu?
Tu rotulas.
Ele rotula.
Nós rotulamos.
Vós rotulais.
Eles rotulam.
Qual a íntima maioral adversidade?
Aceitar e valorizar a... diversidade
Herdeiro do Universo de ordem e beleza
Nossas variedades são a grande riqueza
Aspirante do porvir, milênio glorioso
A diferença é o intercâmbio ditoso
Sem o outro, quem sou eu?
Como inundar o peito de superior emoção
Sem a presença afetuosa do amigo no coração?
A diferença humana é a mola do progresso
A essência da vida e a chave do sucesso
Aprendemos a tolerância no lidar
Preciosa lição de reencarnar
Sem o outro quem sou eu?
O respeito mútuo, atitude fundamental
Nova sociedade, crescimento espiritual
É Deus a se expressar na criatura
Em particular retoque, moldura
Bastam os rótulos! Busquemos o cuidado
Acolher a todos, o gesto elevado!
Sem o outro quem sou eu?
ESPIRITISMO E ESPERANTO - Parte II
Por Fábio Fortes

Estamos ainda muito longe das regiões ideais da mente pura. Tal como na Terra, os que se afinam perfeitamente entre si podem permutar pensamentos, sem as barreiras idiomáticas; mas de modo geral, não podemos prescindir da forma, no lato sentido da expressão. (...) Os patrimônios nacionais e lingüísticos remanescem ainda aqui, condicionados a fronteiras psíquicas.
(André Luiz/Francisco C. Xavier. Nosso Lar, 24)
Entre espíritos perfeitamente afinizados, as barreiras linguísticas se superam pela linguagem do pensamento, mas, no mais das vezes, entre espíritos que requerem o esforço das relações ainda nem tão afinizadas, as línguas, os costumes, as culturas, representam barreiras que se interpõem ao progresso comum. Assim também ocorre na Espiritualidade próxima à Terra: quantos socorros e auxílios seriam mais eficazes se intermediados pela clareza da compreensão humana?
Parte II – Esperanto e Doutrina Espírita
A relação entre a Doutrina Espírita e o Esperanto começou em 1909, quando o então presidente da Federação Espírita Brasileira, aceitando recomendação do movimento espírita francês, resolveu apoiar a causa esperantista. Em meados dos anos 30, Guillon Ribeiro, espírita e esperantista, tradutor das obras de Kardec, iniciou um processo de propaganda e divulgação editorial do Esperanto, abrindo espaço para que dicionários, gramáticas e obras didáticas do Esperanto fossem publicadas pelo signo da FEB. Também as obras da codificação foram traduzidas para o Esperanto, atividade lealmente apoiada até os dias de hoje. Em 1940, pela psicografia de Chico Xavier, Emmanuel enviou a mensagem “A missão do Esperanto”, longa página que destaca o valor do movimento esperantista para a pacificação universal:
“Também o Esperanto, amigos, não vem destruir as línguas utilizadas no mundo, para o intercâmbio dos pensamentos. Sua missão é superior, é a da união e da fraternidade, rumo à unidade universalista. Seus princípios são os da concórdia e seus apóstolos são igualmente companheiros de quantos se sacrificaram pelo ideal divino da solidariedade humana”.
Em 1959, centenário de nascimento de Zamenhof, o Espírito Francisco Lorenz – que, quando encarnado, havia sido um dos esperantistas de primeira hora, tendo publicado obras de ensino de Esperanto ainda para falantes da Tchecoslováquia, região de onde emigrara, tempos depois, para se estabelecer, enfim, no Brasil, onde também atuou incessantemente em prol do Espiritismo e do Esperanto – publicou a obra bilíngue “Esperanto como Revelação”, psicografada nas duas línguas por Chico Xavier. Nesta obra, destaca-se o papel de Zamenhof como missionário do bem, em prol de um ideal de fraternidade entre os povos, em busca da clareza da comunicação humana, a favor da criação de uma cultura verdadeiramente internacional, neutra e que tivesse como princípio o respeito à diversidade humana e a paz. Assim afirmou Lorenz, pela mediunidade de Chico:
“Cercando-se de assessores eficientes, o construtor da unificação iniciou dilatados estudos e, conjugando as mais conhecidas raízes idiomáticas de vários povos, concretizou, em quase meio século de trabalho, a sublime realização. Auxiliado pelas numerosas equipes de colaboradores que lhe afinavam com o ideal, o gênio da confraternização humana, que conhecemos por Lázaro Zamenhof, engenhara, com a inspiração divina, o prodígio do Esperanto, estabelecendo-se a instituição de academias respectivas, nos planos espirituais conexos às nações mais cultas do Planeta. Corporifica-se Zamenhof, em 1859, num lar da Polônia, então associada ao Império Moscovita, cujos povos congregados falavam e escreviam em quase duzentas línguas diversas. E, ante as farpas da crítica e sob os latejos da ingratidão, atormentado, incompreendido pela maioria dos contemporâneos, ferido por muitos e apedrejado em seus sentimentos mais caros, recompõe o Esperanto para os povos terrestres, encetando nova estrada para a unificação mundial”.
As virtudes do Esperanto para a divulgação do Espiritismo no mundo, para a congregação dos povos além de suas fronteiras políticas, econômicas e culturais, para a criação de uma cultura internacional sem precendentes na história, para a divulgação dos ideais de paz, respeito e tolerância, independente das barreiras linguísticas, políticas, religiosas e econômicas justificam, por assim dizer, que o Espiritismo o tenha abraçado como uma de suas causas mais caras, em torno da qual há mais de um século os espíritas trabalham. Também as mensagens psicografadas, que revelam a pertinência do Esperanto no contexto das transformações sociais da Terra, que, a partir da Idade Moderna, a vêm preparando para a consolidação da Boa-Nova, atestam a permanência do Esperanto como ideal do futuro, em torno do qual a humanidade se reunirá, livre dos preconceitos sectaristas e das imposições que derivaram sempre do orgulho e do egoísmo, da concepção de que a individualidade precede a coletividade, de que o interesse próprio está acima do bem da humanidade. Há mais de um século, os Esperantistas têm provado o contrário, tendo uma língua e cultura comuns, que não pertence a ninguém e é de todos. O ideal da estrela verde, que na origem significou também “esperança”, continua guiando a humanidade para um estágio mais avançado de compreensão. Significa, também, que a paz e a confraternização serão as bases da edificação do Evangelho no mundo. O Esperanto é uma utopia? Os espíritos vêm testemunhar a seu favor, e tal como o Cristianismo, vêm provar que não.

Estamos ainda muito longe das regiões ideais da mente pura. Tal como na Terra, os que se afinam perfeitamente entre si podem permutar pensamentos, sem as barreiras idiomáticas; mas de modo geral, não podemos prescindir da forma, no lato sentido da expressão. (...) Os patrimônios nacionais e lingüísticos remanescem ainda aqui, condicionados a fronteiras psíquicas.
(André Luiz/Francisco C. Xavier. Nosso Lar, 24)
Entre espíritos perfeitamente afinizados, as barreiras linguísticas se superam pela linguagem do pensamento, mas, no mais das vezes, entre espíritos que requerem o esforço das relações ainda nem tão afinizadas, as línguas, os costumes, as culturas, representam barreiras que se interpõem ao progresso comum. Assim também ocorre na Espiritualidade próxima à Terra: quantos socorros e auxílios seriam mais eficazes se intermediados pela clareza da compreensão humana?
Parte II – Esperanto e Doutrina Espírita
A relação entre a Doutrina Espírita e o Esperanto começou em 1909, quando o então presidente da Federação Espírita Brasileira, aceitando recomendação do movimento espírita francês, resolveu apoiar a causa esperantista. Em meados dos anos 30, Guillon Ribeiro, espírita e esperantista, tradutor das obras de Kardec, iniciou um processo de propaganda e divulgação editorial do Esperanto, abrindo espaço para que dicionários, gramáticas e obras didáticas do Esperanto fossem publicadas pelo signo da FEB. Também as obras da codificação foram traduzidas para o Esperanto, atividade lealmente apoiada até os dias de hoje. Em 1940, pela psicografia de Chico Xavier, Emmanuel enviou a mensagem “A missão do Esperanto”, longa página que destaca o valor do movimento esperantista para a pacificação universal:
“Também o Esperanto, amigos, não vem destruir as línguas utilizadas no mundo, para o intercâmbio dos pensamentos. Sua missão é superior, é a da união e da fraternidade, rumo à unidade universalista. Seus princípios são os da concórdia e seus apóstolos são igualmente companheiros de quantos se sacrificaram pelo ideal divino da solidariedade humana”.
Em 1959, centenário de nascimento de Zamenhof, o Espírito Francisco Lorenz – que, quando encarnado, havia sido um dos esperantistas de primeira hora, tendo publicado obras de ensino de Esperanto ainda para falantes da Tchecoslováquia, região de onde emigrara, tempos depois, para se estabelecer, enfim, no Brasil, onde também atuou incessantemente em prol do Espiritismo e do Esperanto – publicou a obra bilíngue “Esperanto como Revelação”, psicografada nas duas línguas por Chico Xavier. Nesta obra, destaca-se o papel de Zamenhof como missionário do bem, em prol de um ideal de fraternidade entre os povos, em busca da clareza da comunicação humana, a favor da criação de uma cultura verdadeiramente internacional, neutra e que tivesse como princípio o respeito à diversidade humana e a paz. Assim afirmou Lorenz, pela mediunidade de Chico:
“Cercando-se de assessores eficientes, o construtor da unificação iniciou dilatados estudos e, conjugando as mais conhecidas raízes idiomáticas de vários povos, concretizou, em quase meio século de trabalho, a sublime realização. Auxiliado pelas numerosas equipes de colaboradores que lhe afinavam com o ideal, o gênio da confraternização humana, que conhecemos por Lázaro Zamenhof, engenhara, com a inspiração divina, o prodígio do Esperanto, estabelecendo-se a instituição de academias respectivas, nos planos espirituais conexos às nações mais cultas do Planeta. Corporifica-se Zamenhof, em 1859, num lar da Polônia, então associada ao Império Moscovita, cujos povos congregados falavam e escreviam em quase duzentas línguas diversas. E, ante as farpas da crítica e sob os latejos da ingratidão, atormentado, incompreendido pela maioria dos contemporâneos, ferido por muitos e apedrejado em seus sentimentos mais caros, recompõe o Esperanto para os povos terrestres, encetando nova estrada para a unificação mundial”.
As virtudes do Esperanto para a divulgação do Espiritismo no mundo, para a congregação dos povos além de suas fronteiras políticas, econômicas e culturais, para a criação de uma cultura internacional sem precendentes na história, para a divulgação dos ideais de paz, respeito e tolerância, independente das barreiras linguísticas, políticas, religiosas e econômicas justificam, por assim dizer, que o Espiritismo o tenha abraçado como uma de suas causas mais caras, em torno da qual há mais de um século os espíritas trabalham. Também as mensagens psicografadas, que revelam a pertinência do Esperanto no contexto das transformações sociais da Terra, que, a partir da Idade Moderna, a vêm preparando para a consolidação da Boa-Nova, atestam a permanência do Esperanto como ideal do futuro, em torno do qual a humanidade se reunirá, livre dos preconceitos sectaristas e das imposições que derivaram sempre do orgulho e do egoísmo, da concepção de que a individualidade precede a coletividade, de que o interesse próprio está acima do bem da humanidade. Há mais de um século, os Esperantistas têm provado o contrário, tendo uma língua e cultura comuns, que não pertence a ninguém e é de todos. O ideal da estrela verde, que na origem significou também “esperança”, continua guiando a humanidade para um estágio mais avançado de compreensão. Significa, também, que a paz e a confraternização serão as bases da edificação do Evangelho no mundo. O Esperanto é uma utopia? Os espíritos vêm testemunhar a seu favor, e tal como o Cristianismo, vêm provar que não.
quarta-feira, 14 de março de 2012
ESPIRITISMO E ESPERANTO

por Fábio Fortes
“Fui criado como um idealista e ensinaram-me que todas as pessoas eram irmãs, enquanto lá fora na rua, a cada passo eu sentia que não havia pessoas, apenas os russos, poloneses, alemães, judeus e assim por diante. Este sempre foi um grande tormento na minha mente infantil, embora muitas pessoas possam zombar de tal “angústia pelo mundo” em uma mente infantil”
(Zamenhof, 1895)
Em um mundo em que as fronteiras linguísticas, em vez de tornar símbolo da riqueza cultural do mundo, se tornam barreiras políticas que redundam em guerras e dominações, parece não haver espaço para o idealismo dos “puros de coração” que se angustiam pelos males do mundo e anseiam pela renovação do planeta. Não é, porém, o que a história provou: no mesmo século que as luzes da Codificação Espírita tocavam o coração de Kardec, em meados do século XIX, em algum lugar na Europa, onde judeus, alemães, russos e poloneses se hostilizavam, nascia Lázaro Ludvig Zamenhof, que não conheceria Kardec ou a Doutrina Espírita, mas construiria um dos maiores legados a favor da divulgação do Espiritismo no Mundo: o Esperanto.
Parte I – O Esperanto no Mundo
O Esperanto é uma língua criada em 1887 pelo médico polonês Lazaro L. Zamenhof. Ele propôs o Esperanto como uma segunda língua auxiliar que permitiria aos povos preservar suas línguas nativas, mantendo suas identidades culturais, ao mesmo tempo em que poderiam comunicar entre si por intermédio de uma segunda língua neutra, de fácil aprendizado. Isso significa que o Esperanto, como língua neutra internacional, não oferece qualquer tipo de favorecimento político ou cultural, pois é um bem cultural disponível a usuários de qualquer nacionalidade, sem pertencer a nenhum povo específico.
Dentre inúmeros projetos de língua internacional, pode-se dizer que o Esperanto é o único que realmente se tornou uma língua viva. Hoje, mais de 100 anos após a sua criação, o Esperanto é falado por uma comunidade de falantes de muitos países do mundo, que o usam em comunicações internacionais, em congressos, em interações pela internet, em viagens pelo mundo etc. Embora se possa alegar que outras línguas naturais sejam igualmente empregadas com certo grau de internacionalidade – como o inglês atualmente –, função que outrora desempenharam, em diferentes épocas, também o francês, o latim ou o grego, nenhuma delas, de fato, alcançou a neutralidade política e linguística, que lhes poderia facultar a criação de uma cultura verdadeiramente internacional. Ao contrário, o Esperanto, não somente se tornou um veículo eficaz de comunicação internacional, como também, ao longo do último século, produziu uma cultura igualmente transnacional, que tem como características a defesa da diversidade cultural e linguística humana. Não sendo uma língua “nacional”, não colocou em perigo as línguas minoritárias –, a cultura da confraternização e da paz entre os povos, a neutralidade e liberdade política, religiosa e cultural, respeitando as diferenças entre as culturas.
Mas o Esperanto funciona mesmo? Não é uma língua morta? Sim! O Esperanto tem um imenso acervo cultural que faz com que seus falantes pertençam a essa comunidade transnacional do Esperanto, e consigam se comunicar sobre todos os assuntos. A literatura em esperanto, traduzida ou original também é muito vasta. A prova de que o esperanto funciona, pode ser vista pela internet. Se você digitar “esperanto” no Google você será conduzido a não menos que 162.000.000 resultados. Na famosa Wikipedia, enciclopédia virtual que reúne artigos em 260 línguas, a sua versão em Esperanto está entre as 20 primeiras em volume de textos disponíveis. Entre as mais de 7000 línguas do mundo, o Esperanto está, em número de falantes, entre as 200 línguas mais faladas, superando muitas línguas nacionais.
Mas sendo uma língua neutra, porque os espíritas estudam o Esperanto?
(Continua...)
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